Essas roupas incríveis são feitas a partir de balões ligados uns aos outros ou manipulados por Daisy, uma artista japonesa mundialmente conhecida por trabalhar de forma muito criativa com essa inusitada matéria prima.
Apesar de sererem peças muito frágeis, a artista afirma “a forma não é permanente, porém o sentimento que vestuário feito com balões traz às pessoas, se espalha. Além disso, com a tecnologia, podemos gravá-los em imagens digitais”.
A artista também contou em entrevista que seu primeiro contato com balões foi na decoração da floricultura onde trabalhava. Desde aí, ele aprendeu a manipular o material e se ligou afetivamente a ele, segundo ela: “o sentimento de alegria é o mesmo, com flores ou balões. Atualmente, esse sentimento é a parte mais essencial de mim”.
A entrevista completa, em inglês e japonês, além de fotos com mais das peças inusitadas de Daisy, podem ser conferidas no link.
Cristóvão Colombo e Pedro Álvares Cabral descobriram a América? A questão é polêmica e cada vez mais nomes surgem para serem agregados à gênese e ao desenvolvimento do continente. Um deles é surpreendentemente feminino: “Maria Sanabria”.
O romance histórico homônimo apresenta uma heroína espanhola que, em pleno século XVI, atravessa o Atlântico numa expedição composta essencialmente por mulheres. Assumindo como capitã três embarcações, Maria Sanabria teve que enfrentar aventuras perigosas como um ataque de corsários franceses que pilharam quase todo os mantimentos a bordo. Contanto com a lealdade das mulheres à bordo, a maior parte formada por criminosas, Maria se sentia segura e respeitada.
O historiador ítalo-uruguaio Diego Bracco e autor da obra, conta que essa expedição ocorreu pra evitar que os colonizadores espanhóis deixassem herdeiros mestiços no Brasil, prática abominada por teorias racistas existentes na época. O escritor conta que se dedicou muito para escrever a obra, pois é fascinado por este período histórico. A opção por registrar o importante papel feminino em eventos como esse é outra preocupação de Bracco no romance que agrega fatos históricos à ficcção.
"Maria de Sanabria: A Lendária Expedição das Mulheres que Atravessaram o Atlântico no século XVI” de Diego Bracco foi lançado no Brasil pela editora Record e pode ser encontrado por valores que variam de R$ 28,80 a R$ 39.
As casas de alvenaria do Morro da Providência, no Rio de Janeiro, foram transformadas em grandes painéis artísticos.
Além de criarem o efeito de constante vigilância, como abordado em outro post deste blog, as imagens idealizadas pelo fotógrafo J.R. são uma forma de protesto. O projeto “Women are heroes” (mulheres são heroínas, em tradução livre) já passou por aldeias africanas, periferias européias e chega ao Rio tendo como foco as mulheres que perderam seus filhos durante abusivas incursões policiais no morro.
As mesmas que chefiam as casas, enfrentam a perda de filhos que criam com tamanho esforço. Não parece exagero chamar essas mulheres de heroínas e denominar a maior parte das favelas de grandes comunidades matriarcais.
Os modelos estampados nas casas são os próprios moradores que cederam suas casas para que o projeto se concretizasse: tanto mulheres que perderam seus filhos, netos e enteados, quantos os próprios mortos.
As fotografias de J.R. (que não se identifica para que os holofotes se voltem a alarmante situação que registra em suas lentes) transformaram as violentas manchetes sobre o Morro da Previdência em arte e sensibilidade.
Veja mais imagens do projeto "Women are Heroes" no link Saiba Mais e leia depoimentos das heroínas na Folha Online.
Textos herméticos e romances psicológicos fazem parte do estilo que consagra Clarice Lispector como uma das maiores escritoras brasileiras da contemporaneidade. Mas, além das obras-primas profundas como A Paixão segundo G.H.” e “A Hora da Estrela”, a ucraniana fez também artigos leves para jornais.
Clarice escrevia crônicas no “Correio da Manhã”, “Diário da Noite” e “Comício” sob pseudônimos de Tereza Quadros, Helen Parker e Ilka Soares. Nelas, a escritora explorava a temática feminina desde pequenas dicas para escolher roupas e encontrar soluções para o dia-a-dia até assuntos mais delicados do universo feminino. As mulheres para quem escrevia eram as brasileiras dos anos 50 e 60 que trilhavam os primeiros rumos fora da vida de dona-de-casa para o caminho do mercado de trabalho. O tema, ainda atual, já fazia parte dos escritos da consagrada cronista naquela época.
Reunindo os melhores desses textos, a editora Rocco lançou “Só para Mulheres –Conselhos, Receitas e Segredos”. A organizacão é de Aparecida Maria Nunes, doutora em literatura brasileira pela USP e especialista na obra da escritora.
A partir de um projeto de abordar o tema com base em depoimentos de trabalhadores de um porto em Cuba, o roteirista Oscar deseja expor as incoerências do machismo, alertando e educando. Porém, ele mesmo acaba por cair em contradição quando, ao se apaixonar por uma das operárias, tenta cercear sua liberdade.
De maneira sutil, porém cortante, o diretor cubano Tomás Gutiérrez Alea, mostra a difícil vida das trabalhadoras de Cuba que têm de enfrentar preconceitos e subjugamentos. Realizado em 1983, o filme revela uma situação que é vivida até hoje por muitas latina-americana. Mesmo um dilema atual como a necessidade da renda extra feminina para manter a família e os preconceitos quanto ao trabalho feminino são explicitados como presentes em nossa sociedade desde a década de 1980.
A película faz parte da Mostra Tomás Gutiérrez Alea e será exibido amanhã, 11 de julho, às 19h10, na sala 2 do Memorial da América Latina. O evento é gratuito.
País onde há 20 homens para cada mulher devido à política do filho único (e os diversos abortos de filhas mulheres advindos disso), a China é surpreendentemente desvelada pela jornalista chinesa, Xinran Xue. Vivendo na Inglaterra, a autora volta os olhos para seu país de origem em suas colunas no “The Guardian”, nas quais, com tom melodramático, narra histórias de mulheres heroínas, invísiveis, pobres. Em “O que os chineses não comem”, o olhar feminino capta as diferenças do país, que tem 56 mil grupos étnicosm, cada qual com 5 mil anos de história, língua e cultura próprias.
Apesar dos temas (o alto índice de suicídios femininos no campo, meninas tomadas à força para casamentos, deixadas ao relento quando recém-nascidas) serem pesados, a narrativa tem um humor desconcertante que torna a leitura agradável e nos permite olhar para a China feminina e perplexa que emerge nas páginas e no mundo.